Eu tenho muitas fotos para colocar nesse texto. Mas, optei por não colocar nenhuma.

2025 não foi um ano qualquer. Foi um ano que me atravessou. Perdi minha mãe e meu irmão, e isso muda o jeito de ver o tempo, o corpo, os dias comuns. Algumas ausências passam a morar na gente. Não vão embora, apenas se acomodam, às vezes silenciosas, às vezes barulhentas demais.

Mas, curiosamente, não foi um ano feito só de perdas. Também foi um ano de encontros, de pequenas reconstruções, de vida acontecendo apesar de tudo. Vi pessoas que não via há muito tempo e que deixaram meus dias mais leves. Esses reencontros trouxeram uma sensação estranha e boa: a de que certas conexões sobrevivem ao tempo e ao caos.

Teve mudança de casa. Nosso apartamento, em uma ótima localização, virou cenário de um recomeço possível. Tive mais tempo com minhas irmãs, meus avós e meu pai e isso foi essencial. Dividir a dor, as lembranças, o cotidiano, fez tudo pesar um pouco menos.

E então chega 2026.

Sem promessas grandiosas, sem expectativas irreais. Chega como continuidade. Será meu penúltimo ano na faculdade de odontologia, um período de mais responsabilidade e consciência do caminho que escolhi. Laurinha vai para uma escola nova. Acompanhar esse passo é ver o tempo acontecendo de forma concreta, quase palpável. Ela cresce, e eu aprendo a crescer junto, tentando ser abrigo enquanto o mundo se amplia ao redor dela.

Para esse ano novo, não faço pedidos grandiosos. Desejo presença. Desejo equilíbrio. Desejo continuar sensível sem me perder. Quero honrar quem se foi sem deixar de viver por quem ficou. Quero seguir com coragem suficiente para os dias difíceis e delicadeza para os dias bons.

2025 não foi um ano que passou. Foi um ano que ficou.
2026 começa sem grandes anúncios, mas com a vida seguindo, dia após dia, do jeito possível.
Volto no fim do ano para contar, com mais calma, o que este novo ano resolveu me entregar.

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