Existe um tipo de amor que nasce com nome de irmã, mas cresce grande demais para caber só nessa palavra. Gabriela é isso para mim: começou como laço de sangue e virou laço de alma.

Ela chegou na minha vida quando eu já era grande, mas veio pequena, frágil, cabendo nos meus braços. E desde então, sem pedir licença, foi cabendo também nos meus medos, nos meus sonhos, nas minhas orações, nos meus planos que nem eram meus, porque quando se ama alguém assim, a gente passa a sonhar em duas direções.

São 16 anos entre nós. Às vezes parece muito, às vezes parece nada. Porque amor não mede tempo em calendário, mede em cuidado, em presença, em preocupação silenciosa, em orgulho disfarçado de normalidade. Eu sempre a vi crescer com essa sensação estranha e bonita de quem observa uma parte de si mesma aprender a andar sozinha.

Gabriela me ensinou coisas sem nunca sentar para ensinar. Me ensinou sobre paciência quando eu tive que esperar o tempo dela. Sobre delicadeza quando percebi que o mundo pesa diferente em quem ainda está descobrindo tudo. Sobre amor incondicional quando passei a amá-la sem exigir que ela fosse nada além do que é.

Às vezes eu quero protegê-la do mundo inteiro. Outras vezes, preciso aceitar que ela também precisa do mundo para se tornar quem será. E isso dói. Porque amar também é aprender a soltar com o coração tremendo.

Ela não sabe, ou talvez saiba, mas tem dias em que basta pensar nela para que tudo em mim fique um pouco mais em ordem. Como se a existência dela, só por existir, fosse uma resposta silenciosa às minhas bagunças internas.

Gabi é meu amor maior que o fraternal. É minha menina, mesmo quando cresce. É minha irmã, mesmo quando virar mulher. É meu orgulho quieto, minha torcida barulhenta, minha oração diária que não tem palavras, só sentimento.

Enquanto eu existir, ela terá em mim esse lugar: de abrigo, de colo, de cuidado imperfeito, mas verdadeiro. Porque há amores que não se explicam. Só se vive. E ela é um deles.

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