Fábio era um universo em movimento. Apaixonado por física, pelo céu, pelos números, por tudo que exigia raciocínio e, ao mesmo tempo, imaginação. Gostava de empinar pipa (mesmo depois dos 30 anos), de rir alto, de transformar qualquer conversa em teoria, fosse sobre ciência ou sobre a vida. Ao mesmo tempo, era firme nas suas ideias, teimoso até o fim, com aquele sorriso de canto que surgia quando ele se sentia dono da razão.

Meu irmão não seguia manuais, não fazia questão de se encaixar. Vivia no tempo dele, nas escolhas dele, com a coragem (ou teimosia) de quem não se curva para agradar. E, justamente por isso, deixou marcas. Com ele, aprendi que a vida não precisa seguir as regras. Que viver do próprio jeito é também um ato de resistência. E aprendi, da forma mais dura, que a vida é curta demais para a gente pensar que nossos irmãos “não precisavam ter nascido”. Porque, mesmo com todos os altos e baixos, o lugar dele no mundo era único e insubstituível.

Inclusive gostaria de dizer aqui, que a vida é curta demais para desperdiça-la com arrependimentos. Ele me mostrou, com sua própria existência, que viver do seu jeito já é uma forma de eternidade.

E então, a vida, sempre tão inesperada, decidiu interromper essa história de repente. Sem aviso, sem tempo de preparação. Um dia ele estava aqui, com suas risadas, teorias e teimosias, no outro ficou só o silêncio. Foi rápido demais, duro demais, injusto demais. A despedida não veio com palavras, não teve ensaio. Veio como um golpe seco, que deixou um vazio que ainda não aprendi a preencher.

Naquele dia, perdi um irmão. Mas, junto dele, perdi também uma parte de mim.
Fabinho me ensinou que alguns amores não cabem no tempo. E talvez seja por isso que, mesmo sem ele aqui, eu ainda o encontro em cada lembrança e em cada silêncio que aprendi a respeitar.

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