Não existe meio-termo para aeroportos: ou são tristes demais ou felizes demais. Nunca é meio-feliz ou meio-triste. Eles simbolizam a chegada de um sorriso ou a partida dele. Sempre foi assim. Já vi pessoas saírem da sala de desembarque com abraços que quase tiram o ar, e outras entrarem na porta de embarque com olhos marejados, carregando saudade. É um lugar onde histórias começam e outras se despedem, às vezes para sempre, às vezes só até a próxima vez.

Tenho medo de avião. O barulho da decolagem, a sensação de estar suspensa no ar, tudo me deixa inquieta. Mas ainda assim, há algo que me encanta: a coragem que existe quando alguém coloca seus sonhos dentro de uma mala e vai viver. Seja para estudar, recomeçar, trabalhar ou simplesmente se perder por aí. Eu sempre acho que é preciso coragem para ir.

Talvez eu tenha aprendido cedo a lidar com esse ciclo de chegadas e partidas. Meus irmãos sempre moraram longe, e a vida me ensinou que alguns reencontros vêm com prazo de validade. É aquela felicidade intensa na chegada, como se o tempo distante se dissolvesse em segundos… e, dias depois, o aperto no peito na hora de voltar. Amigos também seguiram caminhos distantes, e aprendi a medir a amizade não pela frequência dos encontros, mas pela força de um abraço no saguão do aeroporto.

Conheci gente assim. Pessoas que transformam o mundo no endereço de casa, que cruzam oceanos para perseguir algo que acreditam, que vivem entre embarques e desembarques como quem respira. E, mesmo de longe, é impossível não admirar a beleza de quem carrega o próprio futuro dentro de uma mala.

Aeroportos são pressa e espera, abraços longos, alegria e dor na mesma sala.
E, de alguma forma, sempre que estou neles, sinto que estou no ponto exato onde a vida se revela: entre o ficar e o partir.

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